Tabela Sinapi: o que é, quem mantém e como usar no orçamento da obra
Sinapi é o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, a referência de custos da obra pública. O Decreto 7.983/2013 diz que ele é mantido pela Caixa, com pesquisa de preço do IBGE ou de órgão de pesquisa congênere. Na obra particular ninguém é obrigado a segui-la, mas ela serve de comparação para o seu orçamento.
Atualizado em
O que é a tabela Sinapi
Sinapi é a sigla de Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. No dia a dia, "tabela Sinapi" é o nome que se dá aos custos unitários de referência que o sistema publica: quanto custa executar uma unidade de cada serviço de obra, como o metro quadrado de alvenaria ou o metro cúbico de concreto.
Por trás de cada custo há uma composição. O Decreto 7.983/2013 define composição de custo unitário como o detalhamento do custo do serviço que expressa a descrição, as quantidades, as produtividades e os custos unitários dos materiais, da mão de obra e dos equipamentos necessários à execução de uma unidade de medida.
- Insumo
- Cada material, hora de profissional ou hora de equipamento que entra em um serviço, com o preço dele.
- Composição
- A receita do serviço: quanto de cada insumo vai em uma unidade, e o custo que isso dá.
- Custo unitário de referência
- O custo de uma unidade do serviço, obtido da composição. É ele que se multiplica pela quantidade levantada no projeto.
- Mediana
- O valor do meio de uma lista de preços em ordem: metade fica abaixo e metade fica acima.
Quem mantém o Sinapi e de onde vêm os preços
A resposta está no artigo 3º do Decreto 7.983/2013. Na redação em vigor, o § 1º, incluído pelo Decreto 12.867, de 2026, diz que o Sinapi deve ser mantido pela Caixa Econômica Federal, segundo definições técnicas de engenharia da Caixa e de pesquisa de preço realizada pelo IBGE ou por órgão de pesquisa congênere.
- A Caixa cuida da engenharia: quais serviços existem, que insumos entram em cada um e em que quantidade.
- O IBGE cuida da pesquisa de preço dos insumos.
- A divulgação é pública. O artigo 7º do decreto manda os responsáveis por sistemas de referência mantê-los atualizados e divulgá-los na internet.
Para consultar ou baixar, entre na página do Sinapi no site da Caixa e escolha o estado e o mês de referência. Use sempre o arquivo do seu estado: preço de material e de mão de obra muda de uma região para outra. Esta página não reproduz preço nem código de composição, porque eles mudam a cada atualização da tabela.
Para que serve a tabela Sinapi na obra pública
Ela é o teto de comparação do orçamento que o governo faz antes de licitar. O artigo 3º do Decreto 7.983/2013 diz que o custo global de referência das obras e serviços de engenharia é obtido a partir das composições de custos unitários do projeto, menores ou iguais à mediana de seus correspondentes no Sinapi.
| Situação | Referência de custo | Onde está escrito |
|---|---|---|
| Obra de edificação com recursos da União | Sinapi | Decreto 7.983/2013, art. 3º |
| Obra de infraestrutura de transportes | Sicro, mantido e divulgado pelo DNIT | Decreto 7.983/2013, art. 4º |
| Licitação de obras e serviços de engenharia em geral | Sicro para transportes, Sinapi para as demais | Lei 14.133/2021, art. 23, § 2º, I |
| Município ou Estado, sem recursos da União | Pode usar outro sistema de custos adotado pelo próprio ente | Lei 14.133/2021, art. 23, § 3º |
Resumo dos trechos oficiais listados nas fontes desta página.
- Nem tudo está na tabela. O próprio artigo 3º deixa de fora os itens de montagem industrial ou que não possam ser considerados de construção civil.
- A composição pode ser ajustada. O artigo 8º permite adotar especificidades locais ou de projeto, desde que a pertinência do ajuste seja demonstrada em relatório técnico elaborado por profissional habilitado.
- O custo ainda não é o preço. Sobre o custo de referência entra o BDI. A conta está na calculadora de BDI.
Como usar a tabela Sinapi no orçamento de obra particular
O decreto se dirige a órgãos e entidades da administração pública federal, em obras contratadas com recursos dos orçamentos da União. Na obra particular, o preço é o que as partes combinam. A tabela entra como referência, e é boa nisso por três motivos: é pública, é feita por serviço e mostra a composição de cada custo.
- Levante as quantidades do projeto. Metros quadrados de alvenaria, metros cúbicos de concreto, metros de tubulação. Sem quantidade não há o que multiplicar.
- Ache o serviço equivalente. Procure na tabela do seu estado a composição que descreve o mesmo serviço, com o mesmo material e a mesma unidade.
- Leia a composição, não só o total. Veja quais insumos entram e em que quantidade. É aí que aparece a diferença entre o serviço da tabela e o seu.
- Troque os preços pelos seus. Ponha o preço que o seu fornecedor cobra e a produtividade que a sua equipe entrega. O custo passa a ser o da sua obra.
- Compare e explique a diferença. Se o seu custo ficou muito longe da referência, descubra por quê antes de fechar o preço: frete, perda, equipe, especificação.
O método completo, do levantamento ao preço de venda, está em como fazer orçamento de obra. Para montar a lista de serviços, use a planilha de orçamento de obra.
Cuidados ao usar a tabela como referência
- Confira o estado e o mês. Tabela de outro estado ou de meses atrás compara a sua obra com outra realidade.
- Confira a unidade. Serviço medido em metro quadrado na tabela e em metro linear no seu levantamento não se compara direto.
- Confira o que a composição inclui. Transporte, andaime e perda de material podem estar dentro do serviço ou em item separado.
- Não copie o total sem ler. A referência é a mediana de uma pesquisa de preços. A sua obra tem o seu fornecedor, a sua distância e a sua equipe.
Este texto é informativo e não substitui o responsável técnico pelo orçamento, o contador nem o advogado. Em licitação, vale o que o edital e a legislação em vigor determinam: leia os dois antes de montar a proposta.
Depois do orçamento: o custo real de cada obra no ConstruSoft
- Obras completas. 7 abas por obra: negociação, casa, localização, despesas, parcelas, financeiro e resumo. O valor que você orçou e o valor fechado com o cliente ficam guardados na obra, para comparar com o gasto.
- Despesas e contas a pagar. Categorias, anexos de nota e vencimentos gerando contas a pagar automaticamente. Cada compra entra na obra, por categoria e com a nota anexada: é o custo que a sua obra teve de verdade.
- Estoque com movimentação. Entradas e saídas de material, custo unitário e alerta de estoque mínimo. O custo unitário de cada material comprado fica registrado, e serve de preço próprio para a próxima obra.
- Relatórios e dashboard. Gasto, recebido e lucro por obra em tempo real, com PDF e CSV. Gasto, recebido e lucro por obra mostram se o preço fechado cobriu o custo.
O que o ConstruSoft não faz: Não faz orçamento com tabela SINAPI ou SICRO.
Perguntas sobre a tabela Sinapi
O que é a tabela Sinapi?
É o conjunto de custos de referência do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. Ela mostra o custo de executar uma unidade de cada serviço de obra, com a composição de materiais, mão de obra e equipamentos que levou àquele valor.
Quem mantém a tabela Sinapi?
A Caixa Econômica Federal. O Decreto 7.983/2013, no artigo 3º, diz que o Sinapi deve ser mantido pela Caixa, segundo definições técnicas de engenharia dela e de pesquisa de preço realizada pelo IBGE ou por órgão de pesquisa congênere.
Para que serve a tabela Sinapi?
Na obra pública, serve de limite para o orçamento de referência: as composições de custo do projeto têm de ser menores ou iguais à mediana das correspondentes no Sinapi. Na obra particular, serve de comparação para conferir o custo de cada serviço.
Obra particular é obrigada a usar a tabela Sinapi?
Não. O Decreto 7.983/2013 se dirige a órgãos e entidades da administração pública federal, em obras contratadas com recursos dos orçamentos da União. Na obra particular, a tabela é referência: o preço é o que o contrato entre as partes fixar.
Onde baixar a tabela Sinapi atualizada?
Na página do Sinapi no site da Caixa Econômica Federal, escolhendo o estado e o mês de referência. O decreto manda os responsáveis por sistemas de referência mantê-los atualizados e divulgá-los na internet.
Fontes oficiais
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